BC deve voltar a subir juros para conter inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (19) e deve elevar a taxa básica de juros de 13,25% para 14,25% ao ano, conforme a projeção da maior parte dos economistas do mercado financeiro.

BC deve voltar a subir juros para conter inflação
Gabriel Galípolo e novos diretores do Banco Central durante a posse. Eles integram o Copom, que é composto por 9 membros / Crédito: Raphael Ribeiro/BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (19) e deve elevar a taxa básica de juros de 13,25% para 14,25% ao ano, conforme a projeção da maior parte dos economistas do mercado financeiro.

Com esse aumento, a taxa Selic alcançou seu nível mais alto desde agosto de 2006, ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando os juros chegaram a 14,75% ao ano.

Caso a elevação seja confirmada, será o quinto reajuste consecutivo da Selic, que serve como referência para as taxas de juros aplicadas no país. O anúncio oficial deve ser feito no final da tarde.

O percentual de 14,25% também remete ao patamar registrado entre 2015 e 2016, período marcado pela crise econômica durante o governo Dilma Rousseff. A ex-presidente foi destituída do cargo em agosto de 2016 por meio de um processo de impeachment.

Atualmente, a principal preocupação do Banco Central é com o avanço da inflação em um cenário de aquecimento da economia. No último ano, o Produto Interno Bruto (PIB) teve um crescimento de 3,4%. Para conter a alta dos preços, o Copom eleva os juros com o objetivo de reduzir a demanda por crédito e desacelerar a atividade econômica.

Poucas horas antes, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, divulgará sua decisão sobre a taxa de juros americana. A expectativa do mercado é de que a taxa seja mantida no intervalo entre 4,25% e 4,50% ao ano.

Nos EUA, investidores acompanham de perto os impactos que as tarifas comerciais impostas por Donald Trump sobre produtos importados podem gerar na inflação e na economia em geral.

Esta será também a segunda reunião do Copom sob a liderança de Gabriel Galípolo, nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e empossado em janeiro deste ano.

Além disso, será a segunda vez que os diretores indicados por Lula formam a maioria no colegiado, tornando-se os principais responsáveis pela decisão final.

Com a autonomia operacional do Banco Central, aprovada pelo Congresso Nacional e em vigor desde 2021, os diretores da instituição passaram a ter mandatos fixos.

Até o final do ano passado, tanto o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, quanto a maior parte da diretoria haviam sido nomeados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.