Casamento triplica risco de obesidade em homens, mas não em mulheres; entenda
Especialista explica estudos que comprovaram a curiosidade

Uma pesquisa polonesa apresentada no Congresso Europeu sobre Obesidade em Málaga neste mês de março trouxe dados alarmantes e curiosos sobre homens casados: eles têm 3,2 vezes mais chances de desenvolver obesidade em comparação com solteiros. Apesar disso, entre as mulheres, o estado civil não mostrou influência significativa no peso. O estudo, realizado pelo National Institute of Cardiology em Varsóvia, analisou dados de 2.405 adultos com idade média de 50 anos para entender como fatores sociais, como o casamento, impactam o ganho de peso.
Quem explica o fato é o médico nutrólogo e intensivista José Israel Sanchez Robles.
Ele ressalta, inicialmente, que, além do aumento nos índices de obesidade entre os homens, o casamento também esteve associado a um risco elevado de sobrepeso em ambos os sexos: 62% entre os homens e 39% entre as mulheres.. “Os achados corroboram evidências previamente descritas na literatura, como demonstrado em um estudo chinês publicado em 2024, o qual identificou um incremento de 5,2% na prevalência de sobrepeso e de 2,5% na obesidade entre homens durante os primeiros cinco anos após o matrimônio. Este fenômeno tem sido associado a alterações no estilo de vida, incluindo aumento na ingestão calórica e redução na prática regular de atividade física”, diz.
José Israel destaca, ainda, que os fatores de risco para o ganho de peso variam de acordo com o gênero. “Embora os homens apresentem maior suscetibilidade ao ganho ponderal associado ao estado civil, entre as mulheres, o excesso de peso esteve mais relacionado a fatores psicossociais. A presença de transtorno depressivo duplicou o risco de obesidade na população feminina. Além disso, baixos níveis de conhecimento em saúde foram associados a um aumento de 43% na probabilidade de obesidade. Mulheres residentes em municípios de menor porte também apresentaram maior prevalência de obesidade”, alertou.
Apesar dessas observações, o médico ressalta que a questão do ganho de peso e da obesidade é multifatorial e envolve uma complexidade significativa. “A obesidade deve ser compreendida como um fenômeno multifatorial, que transcende escolhas individuais. Entre os homens, o ganho de peso após o casamento está frequentemente relacionado a mudanças comportamentais, como maior ingestão calórica e redução na prática de atividade física. Por outro lado, as mulheres permanecem mais expostas a fatores psicossociais, incluindo as pressões estéticas e culturais em torno da imagem corporal. Observa-se, ainda, que homens solteiros tendem a adotar hábitos de vida mais saudáveis com o objetivo de atratividade, enquanto, após o casamento, essa motivação tende a diminuir, contribuindo para o relaxamento nos cuidados com a saúde”.
José Israel acrescenta, ainda, que os homens apresentam maior mortalidade por doenças relacionadas ao excesso de peso, como as cardiovasculares. Em âmbito global, destaca que mais de 2,5 bilhões de pessoas já se encontram com excesso de peso, com projeções indicando que esse número poderá ultrapassar 50% da população adulta até o ano de 2050.
“Faz-se necessário o desenvolvimento de estratégias específicas e a implementação de políticas públicas que promovam educação em saúde acessível e compreensível para toda a população, independentemente do sexo. É fundamental reforçar a importância da adoção de um estilo de vida saudável, que compreende a prática regular de atividade física e uma alimentação prioritariamente composta por alimentos in natura e minimamente processados, com a redução significativa do consumo de produtos ultraprocessados, amplamente associados a desfechos metabólicos adversos”, conclui o especialista.
Por Carlos Nathan Sampaio