Os efeitos da taxação do Trump no mercado

O setor financeiro tem enfrentado forte volatilidade desde a divulgação das novas taxações impostas pelo novo Governo dos EUA.

Os efeitos da taxação do Trump no mercado
“President Donald J. Trump for Time Magazine in 2019” by Pari Dukovic, inkjet print, June 17, 2019 (printed 2020). National Portrait Gallery, Smithsonian Institution. Copyright 2019 Pari Dukovic. President Donald J. Trump for Time Magazine in 2019

O setor financeiro tem enfrentado forte volatilidade desde a divulgação das novas taxações. No dia 10 de março, a Bolsa de Valores dos Estados Unidos registrou seu pior desempenho, reflexo de uma entrevista concedida por Donald Trump à Fox News na véspera. Durante a conversa, o ex-presidente não descartou a possibilidade de uma recessão econômica. O índice Nasdaq, que concentra as principais empresas de tecnologia, despencou 4%, algo que não acontecia desde 2022, enquanto o S&P 500 também sofreu uma queda de 2,7% no mesmo dia.

A insatisfação de Wall Street com Trump cresce, conforme apontado pelo Financial Times. O jornal argumenta que a economia dos EUA não necessitava de um "choque brusco" como esse. Já o The New York Post destaca que os primeiros 45 dias do governo foram marcados por instabilidade. Esse cenário reflete-se em um levantamento da consultoria Elos Ayta, que revelou uma perda de US$ 4 trilhões no mercado acionário desde a posse de Trump, em 20 de janeiro, até o dia 14 de março.

Os impactos das novas políticas são visíveis diariamente. A AerCap, maior empresa de leasing de aeronaves do mundo, alertou sobre possíveis aumentos nos custos. Seu presidente-executivo, Aengus Kelly, afirmou à CNBC que o preço do Boeing 787 pode subir até US$ 40 milhões nas piores projeções, enquanto a fabricante não se pronunciou sobre o assunto. Já Guillaume Faury, CEO da Airbus, declarou à televisão francesa que a empresa começou a sentir "disrupções na cadeia de suprimentos", sem especificar quais seriam.

O setor aéreo já sente os reflexos e revisa suas expectativas financeiras. A Delta Air Lines reduziu sua previsão de lucro pela metade, justificando que a crescente incerteza econômica resultou na retração de gastos por empresas e consumidores. A American Airlines projetou perdas ainda maiores no primeiro trimestre, atribuídas à desaceleração da receita. A Southwest Airlines também revisou suas projeções para o período, mencionando a queda nas viagens governamentais e os impactos dos incêndios florestais na Califórnia. Enquanto isso, a United Airlines prevê que seus lucros ficarão na faixa mais baixa da estimativa inicial, consequência da redução de 50% nas reservas de viagens.

No setor automotivo, a BMW comunicou que, até maio, absorverá os custos da importação de veículos do México, país que passou a ser taxado em 25% por Trump no início de março. Em nota enviada aos concessionários, a montadora alertou que, caso as tarifas não sejam revisadas, os reajustes de preço serão inevitáveis nos próximos dois meses. Modelos das Séries 2 e 3, amplamente comercializados nos EUA, estão entre os mais afetados.

A Tesla, de Elon Musk, também se posicionou sobre o impacto das tarifas impostas pelo governo. A montadora de veículos elétricos enviou uma carta ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), alinhando-se a outras companhias americanas que demonstraram preocupação com as políticas tarifárias. Segundo a agência Reuters, o documento chama a atenção por ter sido emitido pela Tesla, embora não esteja assinado, apenas em papel timbrado da empresa. Na mensagem, a companhia defende que os esforços do governo para lidar com questões comerciais não devem prejudicar inadvertidamente as empresas do país.