Os efeitos da taxação do Trump no mercado
O setor financeiro tem enfrentado forte volatilidade desde a divulgação das novas taxações impostas pelo novo Governo dos EUA.

O setor financeiro tem enfrentado forte volatilidade desde a divulgação das novas taxações. No dia 10 de março, a Bolsa de Valores dos Estados Unidos registrou seu pior desempenho, reflexo de uma entrevista concedida por Donald Trump à Fox News na véspera. Durante a conversa, o ex-presidente não descartou a possibilidade de uma recessão econômica. O índice Nasdaq, que concentra as principais empresas de tecnologia, despencou 4%, algo que não acontecia desde 2022, enquanto o S&P 500 também sofreu uma queda de 2,7% no mesmo dia.
A insatisfação de Wall Street com Trump cresce, conforme apontado pelo Financial Times. O jornal argumenta que a economia dos EUA não necessitava de um "choque brusco" como esse. Já o The New York Post destaca que os primeiros 45 dias do governo foram marcados por instabilidade. Esse cenário reflete-se em um levantamento da consultoria Elos Ayta, que revelou uma perda de US$ 4 trilhões no mercado acionário desde a posse de Trump, em 20 de janeiro, até o dia 14 de março.
Os impactos das novas políticas são visíveis diariamente. A AerCap, maior empresa de leasing de aeronaves do mundo, alertou sobre possíveis aumentos nos custos. Seu presidente-executivo, Aengus Kelly, afirmou à CNBC que o preço do Boeing 787 pode subir até US$ 40 milhões nas piores projeções, enquanto a fabricante não se pronunciou sobre o assunto. Já Guillaume Faury, CEO da Airbus, declarou à televisão francesa que a empresa começou a sentir "disrupções na cadeia de suprimentos", sem especificar quais seriam.
O setor aéreo já sente os reflexos e revisa suas expectativas financeiras. A Delta Air Lines reduziu sua previsão de lucro pela metade, justificando que a crescente incerteza econômica resultou na retração de gastos por empresas e consumidores. A American Airlines projetou perdas ainda maiores no primeiro trimestre, atribuídas à desaceleração da receita. A Southwest Airlines também revisou suas projeções para o período, mencionando a queda nas viagens governamentais e os impactos dos incêndios florestais na Califórnia. Enquanto isso, a United Airlines prevê que seus lucros ficarão na faixa mais baixa da estimativa inicial, consequência da redução de 50% nas reservas de viagens.
No setor automotivo, a BMW comunicou que, até maio, absorverá os custos da importação de veículos do México, país que passou a ser taxado em 25% por Trump no início de março. Em nota enviada aos concessionários, a montadora alertou que, caso as tarifas não sejam revisadas, os reajustes de preço serão inevitáveis nos próximos dois meses. Modelos das Séries 2 e 3, amplamente comercializados nos EUA, estão entre os mais afetados.
A Tesla, de Elon Musk, também se posicionou sobre o impacto das tarifas impostas pelo governo. A montadora de veículos elétricos enviou uma carta ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), alinhando-se a outras companhias americanas que demonstraram preocupação com as políticas tarifárias. Segundo a agência Reuters, o documento chama a atenção por ter sido emitido pela Tesla, embora não esteja assinado, apenas em papel timbrado da empresa. Na mensagem, a companhia defende que os esforços do governo para lidar com questões comerciais não devem prejudicar inadvertidamente as empresas do país.